Captação do Banco Neon

De tempos em tempos trazemos análises do mundo dos negócios com uma profundidade financeira maior do que das notícias que geralmente encontramos na mídia. Nossa intenção é, além de proporcionar conteúdos interessantes, mostrar como nossos serviços podem trazer eficiência para profissionais de análise financeira e de crédito – somos a maior base de demonstrativos financeiros de capital fechado do Brasil (com informações de S/As e também de LTDAs) e possuímos serviços especializados para áreas de análise de crédito (combinação que vem reduzindo substancialmente o tempo de processo em nossos clientes).

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Nesta edição estamos trazendo um acontecimento de uma fintech que está bastante em pauta na mídia: a captação do Banco Neon. Recentemente o Banco Neon fez uma captação de R$ 1.6 bi junto aos fundos General Atlantic, Black Rock e PayPal, divulgada no início de Setembro. O banco (ainda) é uma empresa de capital fechado e atua como banco digital PF e PJ com conta digital, cartão de crédito/débito, empréstimo pessoal e está maturando uma operação de investimentos que provavelmente será turbinada pela recente aquisição da corretora Magliano (em Julho/2020). O valuation não foi divulgado mas, independente de seu valor, parece audacioso para uma empresa que teve receita líquida R$ 24 milhões em 2019 com prejuízo líquido de R$ 105 milhões receber um investimento desta monta. Neste link disponibilizamos o demonstrativo financeiro 2019 completo, o prejuízo teve como principais propulsores:

  • Custo dos serviços: R$ 43 milhões sendo 17m em manutenção da conta digital, 16m em serviços de design e entrega de cartões, 6m em processamento de dados e o restante em outros.
  • Despesas com pessoal: R$ 61m
  • Despesas com vendas: R$ 56m sendo 55m em marketing
  • Despesas administrativas: R$ 41m sendo 19m em suporte técnico de informática, 10.7 em consultoria, 4m em advogados e o restante em outros.

Com certeza o fato de terem atingido 9.5 milhões de contas abertas em Julho/20, triplicando o número de contas em 12 meses ajudou a justificar o valuation, sem contar que é um mercado de proporções colossais. Mesmo assim é desafiador num negócio que tem 66% de sua receita aplicada na impressão de cartões.

Fazendo um paralelo com o Nubank, ambos são cash-burners, mas a receita por cliente da Neon aparenta ser bem inferior:

  • Nubank 2018: R$ 33/cliente (5.9m de clientes segundo a Época Negócios e 199m de receita de acordo com o balanço publicado disponível neste link)
  • Nubank 2019: Os mesmos R$ 33/cliente (16 milhões de clientes e 528m de receita líquida de acordo com o balanço citado acima)
  • Neon 2019: Algo entre R$ 7.26/cliente e R$ 12/cliente (algumas fontes sugerem 2m de usuários outras 3.3 milhões de contas abertas em Novembro/19 quando aconteceu o Series B)

Obs: (1) A característica do crescimento durante o ano pode afetar estes indicadores e eventualmente beneficiar o indicador da Neon, que em receita cresceu 386% em 2019 versus 165% da Nubank. (2) Como receita consideramos somente a receita da intermediação financeira, o que penaliza consideravelmente o Nubank uma vez que a maior parte da sua receita vem da prestação de serviços e outras receitas operacionais que, se consideradas no indicador, levam a receita por cliente para a casa dos R$ 120-130 / ano – o Neon não demonstra ter outras receitas relevantes em seu demonstrativo.

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