Análise do potencial de escala: Supermercados x Lojas de Materiais de Construção

Hoje vamos falar um pouco sobre um tema recorrente nas mesas de discussão de empresas de consultoria e de analistas financeiros, mas não tão analisado cientificamente: o potencial de economia de escala.

economia de escala

Do ponto de vista filosófico tudo faz sentido: quando as empresas crescem elas naturalmente diluem seus custos fixos e ganham poder de barganha com os fornecedores. Mas será que isso acontece mesmo na prática? Qual a relevância destes ganhos de escala nos negócios?

Este tipo de análise é indispensável para qualquer análise estratégica, matriz SWOT ou tese de investimentos, afinal ela consegue pontuar numericamente até onde é possível melhorar com o crescimento e permite traçar horizontes “atingíveis”.

E para este mergulho nas finanças escaláveis, naturalmente vamos utilizar os dados da Klooks, maior base de demonstrações financeiras do Brasil.

Ao estudar estes segmentos, notamos que para fazer a análise não basta só selecionar as empresas pelo CNAE, pois muitas tem seus resultados influenciados por outras operações. Por exemplo, a gaúcha Zaffari tem forte incidência de operações imobiliárias de shopping center em seu resultado, então não seria um bom comparable (seu resultado destoa muito e acaba distorcendo a análise). Outro exemplo é das Lojas Americanas que, apesar de estar classificada no CNAE de supermercados, tem uma operação muito mais ampla, envolvendo eletrônicos e eletrodomésticos e com modelo de comercialização muito dependente do e-commerce, bem diferente da rede de supermercados clássica (que tem margens bem inferiores).

Supermercados

Neste segmento, dentro de uma amostragem selecionada de 19 empresas temos um índice de correlação (Pearson) de 0,42, o que é moderado. No entanto, como podemos ver abaixo, fica bem claro que as maiores empresas tendem a ter mais margem EBITDA. Aparentemente este benefício de escala só é plenamente atingível em proporções muito grandes: somente redes de mais de 20 bi de faturamento conseguiram cruzar a marca dos 7% de EBITDA.

escalabilidade

Apesar da correlação de Pearson não ser forte, se olharmos a mediana de margem EBITDA por faixa de faturamento fica bem claro o potencial de escala. Além disso, pelo desvio padrão podemos notar também que que quanto maior o negócio mais previsível o comportamento.

Faixa de Receita Líquida Margem EBITDA Mediana Desv. Pad. Margem EBITDA
Acima de 5 bi 7,26% 1,95%
Entre 500m e 5 bi 3,92% 2,36%
Abaixo de 500m 3,30% 6,35%

Nosso entendimento é que as redes, ao atingir um patamar ultra large, além de conseguirem criar iniciativas de diversificação, tem capacidade financeira para destravar questões de logística e distribuição que necessitam altíssimos investimentos e criam as condições adequadas para se obter boas margens no segmento.


Lojas de Materiais de Construção

Em materiais de construção, apesar de não ter uma correlação estatística direta entre receitas e margem EBITDA (correlação Pearson de 0,2 nesta amostragem selecionada de 18 empresas), notamos que empresas maiores tem, na mediana, margem EBITDA maior: 13,87% é mediana das empresas que faturam mais que 300 milhões versus 7,74% das menores.

potencial de escala

Olhando o desvio padrão de forma crua, parece ser um segmento bem menos previsível que o de supermercados, no entanto acreditamos que isso se dá pelo tamanho da amostragem (uma empresa com resultado negativo acaba distorcendo, se tirarmos ela o desvio padrão acima de 300m vai para 3,10%)

Faixa de Receita Líquida Margem EBITDA Mediana Desv. Pad. Margem EBITDA
Acima de 300m 13,56% 11,04%
Abaixo de 300m 7,06% 10,18%

 

 

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